
sexta-feira, 20 de março de 2009
segunda-feira, 9 de março de 2009
sexta-feira, 6 de março de 2009
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
ARROWHEAD 2009

Só consegui dormir 2 horas, de 23:30Hs até 1:30Hs, estava muito tenso, não via a hora da prova começar, a temperatura estava batendo recordes negativos, estava bem treinado, pois puxei pneu pelas praias do Rio de Janeiro por 4 meses, sabia que teria resistência para suportar o peso de puxar o trenó com todo equipamento obrigatório, comida e água que dá uns 20 kg por 217 Km na neve, só não sabia se meu corpo suportaria a temperatura por 60 horas.
Larguei as 7:40 Hs só com a segunda pele e o casaco de goretex, teve uma nevasca na noite anterior a prova e a neve ficou muito fofa dificultando muito a prova, era como se corresse na areia da praia puxando um saco de 50 Kg, fui com tudo, estava com raiva dessa prova, pois foi a única que tinha me vencido, da largada ao chekin 1 eram 60 Km e fui passando um a um, o corpo estava em perfeita sintonia com o celebro e já estava em 2º lugar quando cheguei no chekin 01 com 9 horas de prova, foi aqui que no ano passado a médica me tirou da prova mas dessa vez nada vai me impedir, minha água estava toda congelada, troquei as roupas colocando roupas secas, o meu amigo e atleta João Prestes que tinha abandonado a prova me ajudou com o material e comida, comi alguma coisa e por erro não acrescentei mais uma camada de roupa.
Sai umas 17:20 Hs em direção ao chekin 2 que eram mais 55 Km, já estava escuro e a temperatura vinha caindo bem, mas como estava correndo me mantinha aquecido, tinha que controlar o tempo todo, não podia colocar roupa de mais e suar, se não o suor congelava e dava hipotermia, se colocar roupa de menos dava hipotermia, então tinha que controlar a temperatura do corpo controlando o zíper do casaco e da calça abrindo e fechando conforme a temperatura, uns 40 minutos depois que sai do chekin 1 peguei uma trilha errada e fui parar na estrada, não acreditei no que tinha acontecido, tive que voltar tudo até achar a trilha certa, perdi umas 2 horas e varias posições alem de dar uma quebrada, pois fiquei muito chateado e para recuperar o tempo perdido, aumentei a velocidade, com a lanterna na cabeça no meio da trilha só dava para ver um caminho pequeno pela frente a temperatura já estava 37 negativos e pisei em buraco coberto pela neve afundando a perna direita e torcendo o joelho, ai que veio o pior, com muita dor tive que dar uma parada e como estava com pouca roupa(só a segunda pele e o casaco e calça de goretex, por estar correndo, nessa altura da prova já estava dando 37 negativos, rapidamente meus pés e mãos congelaram, já estava congelando o peito,( na prova não da para tirar o casaco e a calça para colocar outras camadas de roupa e colocar o casaco e calça novamente, pois congela na hora, tem que entrar no saco de dormir especial que suporta até 50 negativos e colocar as roupas dentro do saco), porem como minhas mãos congelaram eu não tinha como abrir minha bolsa de material, minhas mãos não mexiam, pensei “ vou morrer, estou congelando” estava andando de um lado para o outro sem direção me debatendo de frio, quando vi vindo longe uma luz de uma lanterna e comecei a gritar “help, help”, vinha um atleta da marinha americana que por sorte falava português, o pai dele trabalha na Petrobras de Salvador(foi Deus quem mandou ele com certeza), falei com ele” por favor me socorre, estou morrendo congelado, minhas mãos não mechem para eu abrir o saco de dormir e entrar dentro para colocar outras camadas de roupas”, na mesma hora o Luke armou meu saco de dormir, colocou roupas e comida dentro e me colocou dentro do saco, fiquei mais de uma hora lá dentro me debatendo até o corpo voltar a temperatura normal, o Jarom passou e perguntou se eu precisava de ajuda dei o meu ok para ele, veio o Snomobil(moto da neve) do resgate para querer saber se eu queria abandonar e ir com eles, mas recusei e depois de me alimentar, coloquei 3 camadas de roupas mais o casaco, 3 pares de méis, 3 luvas e 3 calças, quando fui colocar o tênis que tinha ficado do lado de fora do saco, ele estava congelado, tive que ficar batendo no tênis até o gelo quebrar para poder colocar e voltar para a prova. Só queria chegar no chekin 2 para me recuperar para os 110 km finais, voltei me arrastando, muito desgastado física e mentalmente devido ao susto que tomei quase morrendo congelado, com um esforço sobrenatural vi de longe a cabana onde era o chekin 2, tinha que atravessar um enorme lago congelado e poderia me recuperar para os últimos 110 Km, parecia interminável, mas cheguei na cabana, todo equipamento congelado e eu destruído.
Quando sai do chekin 2 faltavam umas 2 horas para escurecer e não queria passar outro sufoco de ver a morte de frente, mais da metade dos atletas já tinham abandonado a prova, então preferi fazer essas 2 horas mais lento e com mais roupas para não suar, mas também não congelar quando chegasse a noite, sai com 4 camadas de roupas, o joelho direito ainda doía, porem eu precisava muito conseguir cruzar a linha de chegada, agora são 110 Km direto sem chekin nenhum e teria uma noite e um dia para conseguir, na madrugada deu 40 negativos e graças a deus estava quentinho não passei o sufoco, só que com 4 calças deu assadura entre as pernas e roçando em cima das assaduras, acabaram virando dias feridas, os últimos 40 km foi a pior maratona que um ser humano poderia fazer, ia de pernas abertas por causa das assaduras e mancando da perna direita por causa do joelho, comia neve para matar a sede, pois minha água congelou toda, os calcanhares estavam cheios de cortes por causa do gelo, peguei a bandeira do Brasil na mão e pensei “agora vai ter que ser na garra, na raça”, lembrei do Ayrton Senna e cada passo era um sofrimento, faltando 5 Km encontrei o espanhol “Carles Connil” e foi o que eu precisava, fomos juntos até a linha de chegada, demorei 10 horas para fazer os últimos 40 km completando a prova em 58 horas, chorei muito em uma mistura de dor e alegria me tornando o primeiro brasileiro a terminar essa prova e o único atleta do mundo inteiro a completar todas as provas da “BAD135 World Cup”.
Quando terminou a prova o João e o Jarom estavam lá me esperando na linha de chegada e me ajudaram com os equipamentos e cuidaram de mim trazendo comida e tirando o material que estava congelado no meu corpo.
Agradeço aqui a HSportes, Ricolli Viagens e ao Mac Donald’s de Niterói, pois sem eles nada disso seria possível, agradeço também a paciência da minha família por aturar os treinos intermináveis e o tempo que estive fora para a prova.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
ARROWHEAD 2009

Essa prova está entalada na minha garganta, tem um ano que não durmo direito pensando nela, foi a unica Ultramaratona que não completei na minha vida, mas graças a Deus terei uma segunda chance.
Arrowhead Ultramarathon é uma dessas corridas inacreditáveis. Com 217km a serem percorridos em um tempo limite de 60 horas, com temperaturas que podem ultrapassar os -50ºC, é uma corrida solo (sem apoio), com apenas um Time Station (posto de controle), onde participam, ciclistas, esquiadores e corredores. Arrowhead é considerada a prova à pé mais difícil do mundo, na neve.A prova terá início no dia 2 de fevereiro e terminará no dia 4 de fevereiro de 2009 na cidade de International Falls, em Minnesota, Estados Unidos.Ao todo 75 competidores do mundo inteiro são esperados este ano. Entre eles estão corredores, esquiadores e mountain bikers. Cada competidor precisa levar consigo tudo o que necessitará para sua sobrevivência nas 60 horas de prova, incluindo água, alimentos, barraca e saco de dormir.Para completar o Desafio 135 Milhas, etapa Arrowhead, já está inscrito e confirmado o atleta brasileiro:Marcio Villar: 41 anos, Analista de Sistemas. Ultramaratonista há 4 anos, tendo no currículo, Uma Ultra de 12 Horas, 5 Ultras de 24 Horas sendo o atual campeão da Ultra de 24 horas do Rio, campeão e Recordista no Desafio Brasília-Pirinopolis (Goias) 01 de setembro de 2007), 6º lugar na Jungle Mataton 2006 e 5º lugar em 2008 (prova de 7 dias dentro da Floresta Amazônica), 6º Lugar na BR135 2007 nas montanhas da Serra da Mantiqueira entre São paulo e Minas gerais (que faz parte da Copa do Mundo de 135 Milhas), 3º atleta brasileiro em 31 anos a trazer a fivela ao atravessar o deserto do Vale da Morte na California correndo(Badwater 2008 – que também faz parte da Copa do Mundo de 135 Milhas).Meu Plano de Apoio está dividido em 10 cotas individuais. Não oferecerei cotas para empresas concorrentes em nicho, sendo respeitada a condição de uma única empresa por nicho ou segmento de mercado.Custos da prova para 1 competidor:• Passagem aérea (Rio, Internationall Falls, Rio): R$ 3.900,00• Inscrição na prova Arrowhead: R$ 600,00• Equipamento para a prova: R$ 6.000,00• Comida e Hospedagem: R$ 2.000,00• Aluguel de carro p/apoio R$ 2.500,00Total dos Custos: R$ 15.000Total de cada cota: R$ 1.500,00"A dor é temporária. Ela pode durar 1 minuto, 1 hora, 1 dia, 1 semana, 1 ano ... mas em algum momento ela passa... e se vc desistir, vai ter de conviver com o incômodo de ter abandonado uma batalha e a sensação de perda. Mas se vc for em frente, vai conquistar a vitória e poder usufruir do gosto único que ela tem ... a vitória é eterna".
terça-feira, 4 de novembro de 2008
JUNGLE MARATHON 2008




Acabei de chegar da Jungle, onde terminei em 5º lugar, no 6º dia de corrida a sola dos meus pés descolaram e os últimos 30 KM fiz chorando de dor, para largar na ultima etapa que eram 32 Km na areia de praia a enfermeira costurou a sola do meu pé e o Luiz me deu uma injeção na sola dos 2 pés para ajudar a secar, larguei gritando de dor, corri gemendo o tempo todo, mas queria muito buscar o 3º lugar e fui conseguindo baixar o tempo, porem no Km 15, comecei a urinar sangue e preferi garantir o 5º lugar diminuindo o ritmo que seria melhor que ficar de fora, fiquei meio frustrado, mas deu para trazer mais um troféu, o primeiro dia de prova foi muito ruim, logo com 4 Km levei uma navalhada na cara de um cipó que fiquei tonto e quase desmaiei, tive que ficar 20 minutos me recuperando e cheguei em 27º, no 2º dia pulei para 18º, no 3º dia para 13º, no 4º dia para 7º e na etapa longa de 2 dias pulei para 5º, mas os últimos 30 Km sem a sola dos pés.
No momento não da nem para colocar chinelos, as cabeças dos dedos estão penduradas e sem as solas, os pés muito inchados, só estou conseguindo dar alguns passos com o calcanhar, mas valeu cada suor e sangue que dei nessa prova, a 1 Km da linha de chegada já vinha chorando de uma mistura de dor e alegria, sem que muitos vão me chamar de louco, vão ser contra, mas só quem viveu aquele momento sabe que não da para trocar por nada nesse mundo."A dor é temporária. Ela pode durar 1 minuto, 1 hora, 1 dia, 1 semana, 1 ano ... mas em algum momento ela passa... e se vc desistir, vai ter de conviver com o incômodo de ter abandonado uma batalha e a sensação de perda. Mas se vc for em frente, vai conquistar a vitória e poder usufruir do gosto único que ela tem ... a vitória é eterna".
No momento não da nem para colocar chinelos, as cabeças dos dedos estão penduradas e sem as solas, os pés muito inchados, só estou conseguindo dar alguns passos com o calcanhar, mas valeu cada suor e sangue que dei nessa prova, a 1 Km da linha de chegada já vinha chorando de uma mistura de dor e alegria, sem que muitos vão me chamar de louco, vão ser contra, mas só quem viveu aquele momento sabe que não da para trocar por nada nesse mundo."A dor é temporária. Ela pode durar 1 minuto, 1 hora, 1 dia, 1 semana, 1 ano ... mas em algum momento ela passa... e se vc desistir, vai ter de conviver com o incômodo de ter abandonado uma batalha e a sensação de perda. Mas se vc for em frente, vai conquistar a vitória e poder usufruir do gosto único que ela tem ... a vitória é eterna".
terça-feira, 17 de junho de 2008
BADWATER 2008
Proximo desafio, 217 Km no deserto do vale da Morte na california com uma temperatura de 55º, sem apoio até agora para participar da prova só tendo conseguido as passagens com a Winsite Computer e a inscrição com a Compax Engenharia, venho batalhando em busca de apoio e os amigos tem ajudado muito e se deus quiser me tornarei o terceiro brasileiro a trazer a fivela, algo somente feito pelo Walmir Nunes e sergio Cordeiro, 2 campeões mundiais e profissionais ao contrario de mim que trabalho o dia todo e treino a noite e praticamente sem apoio nenhum vou para as provas com muita garra e força em busca dos meus objetivos.
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